Rommulo Vieira Conceição ocupa a praça do Manege, o maior espaço expositivo no centro de São Petersburgo, na Rússia
Uýra, Lama, 2017. Foto: Keila-Sankofa. Reprodução: Flávio Freire
Até o dia 27 de setembro de 2026, o artista Rommulo Vieira Conceição apresenta duas obras na praça do Manege, em São Petersburgo, na Rússia: “Spatial Drift” (2026) e “Sob (os) Fundamentos” (2025).
O projeto reflete um momento de crescente projeção internacional da pesquisa do artista, cujas obras já integram mais de dez coleções museológicas, entre elas a do Instituto Inhotim (Brumadinho) e da Pinacoteca de São Paulo (São Paulo), além de exposições de relevância internacional, como a 35ª Bienal de São Paulo – “Coreografias do Impossível”, em 2023. Em maio deste ano, Vieira Conceição também ganhou destaque durante a participação da Aura na 1-54 Contemporary African Art Fair New York, tanto na apresentação da galeria quanto na exposição “Brazil Beyond Brazil”, com curadoria de Igor Simões, ocasiões onde seus trabalhos receberam ampla repercussão nos principais veículos especializados, como The Art Newspaper, Christie's, Artnet News, Hyperallergic, Folha de S.Paulo, entre muitos outros.
“Spatial Drift” consiste em um site-specific de desenho sinuoso, composto por muros translúcidos em cores primárias, que reorganizam temporariamente o espaço urbano. A obra só se completa quando é atravessada pela luz e pelo fluxo da cidade. Os raios de sol que a perpassam projetam campos cromáticos sobre o chão, colorindo a praça e alterando sua atmosfera ao longo do dia. Ao mesmo tempo, quando o visitante observa a paisagem através da sobreposição de duas ou mais superfícies coloridas, novas tonalidades são formadas.
“O trabalho foi construído para que as pessoas pudessem entrar nessa espécie de labirinto e observar a cidade de forma diferente, através das cores.” – Rommulo Vieira Conceição
Segundo o artista, a instalação cita sutilmente um encontro entre Brasil e Rússia: a paleta de cores reflete a vibração do país de origem de Rommulo, enquanto a inspiração para as pontas das grades vieram das construções da própria cidade de São Petersburgo.
Já a escultura “Sob (os) Fundamentos” (2025) sobrepõe referências históricas e religiosas. Sua base, inspirada em uma cerâmica portuguesa do século XVI de herança árabe, sustenta uma quartinha, vaso utilizado em rituais das religiões afro-brasileiras. É uma peça que reconfigura hierarquias históricas, colocando o que foi marginalizado — o sagrado afro — no topo da estrutura.

