Uýra passa a integrar o acervo do MASP
Uýra, Lama, 2017. Foto: Keila-Sankofa. Reprodução: Flávio Freire
A Aura tem o prazer de anunciar que a obra “Lama” (2017), de Uýra, passa a integrar a coleção do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP). A fotoperformance criada na Amazônia, que já percorreu o mundo, participando de exposições de destaque, como a “Histórias LGBTQIA+” (2024), no próprio MASP, a 34ª Bienal de São Paulo (2021) e “Wametisé: ideias para um amazofuturismo”, no setor curado da feira ARCOmadrid (2025), agora irá compor permanentemente a considerada mais relevante coleção do hemisfério sul.
Na imagem, Uýra emerge das águas da Lagoa Azul, em Presidente Figueiredo, com parte dos contornos do corpo diluídos, integrando-se à paisagem na tentativa de reverter a separação moderna entre humano e natureza, e reconectar, com dignidade, as Amazônias e seus saberes ao resto do planeta.
A obra compõe a série “Elementar”, sobre a qual, no contexto da Bienal de São Paulo de 2021, a equipe curatorial escreveu: “São, ao mesmo tempo, ações de denúncia e a evocação de seres ancestrais ou futuristas, entre utópicos e apocalípticos, de uma beleza perturbadora. A floresta ameaçada, o desmatamento, o fogo; a água submersa sobre o lixo que afoga os igarapés; a floresta que engole o corpo e o corpo que se transforma.”
Na palavras da artista, a “lama é um sedimento natural que surge com o encontro entre a terra e a água, forças e mundos diferentes que com seu abraço criam um outro. Na fotografia além de sedimento, é também um desejo e necessidade do nosso tempo: o de reunião de mundos fragmentados pela lógica moderna, como a Natureza e Cultura e as distintas Ecologias e Ciências, que seguem tão separadas no mundo pelas mesmas forças que o destroem, mas que quando se juntam, possuem potente força criativa em tempos de queda do céu.”
Graduada em Biologia e Mestra em Ecologia da Amazônia e vencedora do Prêmio PIPA 2022, do Prêmio SIM à Igualdade Racial 2023 e do Prêmio FOCO ArtRio 2023, Uýra atua principalmente com performance e fotoperformance para contar histórias do encontro e da diferença entre a floresta e a cidade, costuradas por saberes científicos e ancestrais. As múltiplas naturezas dos mundos, suas origens e impactos enquanto imaginário sociocultural e político, o desaparecimento e ressurgimento de vida e a diáspora indígena, são alguns dos seus interesses em pesquisa e produção.
A aquisição pela coleção do MASP soma-se à trajetória institucional da artista, cujas obras já integram importantes coleções públicas e privadas, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo, Brasil), o Los Angeles County Museum of Art (LACMA | Los Angeles, Estados Unidos), o Institute for Studies on Latin American Art (ISLAA | Nova York, Estados Unidos), o Currier Museum of Art (Manchester, Estados Unidos), o Castello di Rivoli (Turim, Itália), entre outros.
No ano passado, a artista apresentou performances e participou de exposições em mais de oito países. Entre os destaques estão a apresentação da performance “Espiral da Morte” no Museu Reina Sofía, na Espanha; a exposição individual “Memórias de Alagamento” no MAM de Bogotá; e a participação na mostra ”Complexo Brasil” no Museu Calouste Gulbenkian, em Portugal.

